EmailCheckerEmailChecker

SPF, DKIM e DMARC explicados sem jargão

Entenda SPF, DKIM e DMARC de forma prática: registros DNS reais, quando usar ~all vs -all e a sequência segura de implementação em 4 semanas para não perder entrega.

Por Maria Silva (Email Deliverability)·Publicado em 25/05/2026·7 min de leitura

SPF, DKIM e DMARC explicados sem jargão

Se você já abriu um ticket para o time de TI pedindo "configurar autenticação de e-mail" e recebeu um olhar vazio de volta — ou pior, um relatório de 40 páginas que não resolve nada — este guia é pra você. Vamos desmontar os três protocolos que controlam se o seu e-mail chega na caixa de entrada ou na lixeira, com exemplos reais e sem precisar virar engenheiro de infraestrutura.

Por que isso virou urgente em 2026

Em fevereiro de 2024, Gmail e Yahoo passaram a exigir SPF, DKIM e DMARC configurados para qualquer remetente que envie mais de 5.000 mensagens por dia. Leia as diretrizes oficiais do Google e você vai ver que não é sugestão — é requisito de entrega. Quem não atende tem e-mail rejeitado silenciosamente ou marcado como spam antes mesmo de chegar ao filtro do destinatário.

Isso significa que a sua campanha de lançamento, o fluxo de onboarding e o newsletter semanal dependem diretamente de três registros DNS que provavelmente foram configurados (ou não) há anos sem revisão.


SPF: quem pode enviar no seu nome

SPF (Sender Policy Framework, RFC 7208) é uma lista de permissões publicada no DNS do seu domínio. Quando um servidor de e-mail recebe uma mensagem de @suaempresa.com, ele consulta essa lista para verificar se o IP remetente está autorizado.

Exemplo de registro SPF

suaempresa.com. IN TXT "v=spf1 include:_spf.google.com include:sendgrid.net ip4:203.0.113.45 ~all"

Tradução linha a linha:

  • v=spf1 — versão do protocolo, obrigatória
  • include:_spf.google.com — autoriza os IPs do Google Workspace a enviar pelo seu domínio
  • include:sendgrid.net — autoriza o SendGrid (ou o seu ESP)
  • ip4:203.0.113.45 — autoriza um IP dedicado específico (servidor de transacional, por exemplo)
  • ~all — qualquer outro IP que tente enviar recebe "softfail" (aceito, mas marcado)

~all vs -all: a diferença que importa

O ~all (softfail) avisa os servidores receptores que IPs não listados são suspeitos, mas não rejeita o e-mail imediatamente. O -all (hardfail) rejeita. Usar -all prematuramente é o erro mais comum: você descobre que esqueceu de listar o sistema de NF-e, o Mailchimp legado ou o CRM que marketing usa só nas quartas — e começa a perder e-mails críticos.

Regra prática: comece com ~all durante o mapeamento de todos os sistemas que enviam e-mail pelo seu domínio. Migre para -all só depois de ter certeza que a lista está completa e o DMARC em reject.

Armadilha comum: SPF tem limite de 10 consultas DNS recursivas. Cada include: conta. Se você usa cinco ESPs, dois CRMs e um sistema legado, já estourou o limite — e o registro passa a falhar silenciosamente para alguns servidores. A solução é usar um serviço de "SPF flattening" ou consolidar envios.


DKIM: a assinatura digital que prova autoria

DKIM (DomainKeys Identified Mail, RFC 6376) funciona como um selo de autenticidade. O servidor que envia o e-mail assina a mensagem com uma chave privada. O servidor receptor verifica a assinatura consultando a chave pública publicada no DNS do remetente.

A chave pública fica num registro DNS com um seletor — um apelido que permite ter múltiplas chaves ativas (uma por ESP, por exemplo):

Exemplo de registro DKIM

google._domainkey.suaempresa.com. IN TXT "v=DKIM1; k=rsa; p=MIIBIjANBgkqhkiG9w0BAQEFAAOCAQ8AMIIBCgKCAQEA2a8..."
  • google é o seletor — cada provedor usa o seu
  • v=DKIM1 é a versão
  • k=rsa é o algoritmo (RSA 2048 bits é o padrão seguro hoje)
  • p=... é a chave pública em si (truncada no exemplo)

Rotação de chaves: o que TI precisa fazer periodicamente

Chaves DKIM devem ser rotacionadas a cada 6 a 12 meses. O processo é:

  1. Gerar um novo par de chaves (nova chave privada no servidor, nova chave pública no DNS com um seletor diferente, ex: google2)
  2. Deixar as duas chaves ativas por 48 horas (TTL do DNS)
  3. Desativar a chave antiga

Se o seu ESP gerencia as chaves (como o Google Workspace faz), isso é transparente. Se for um servidor próprio, precisa de procedimento documentado. Pergunte ao seu time de TI quando foi a última rotação — se a resposta for "nunca", é uma vulnerabilidade real.


DMARC: a política que une tudo

DMARC (RFC 7489) é a camada de orquestração. Ele define o que acontece quando SPF ou DKIM falham, e para onde enviar relatórios. Sem DMARC, SPF e DKIM são checagens sem consequência — o servidor receptor recebe as informações mas não sabe o que fazer com elas.

O registro fica em _dmarc.seudominio.com:

Exemplo de registro DMARC

_dmarc.suaempresa.com. IN TXT "v=DMARC1; p=quarantine; rua=mailto:dmarc@suaempresa.com; ruf=mailto:dmarc@suaempresa.com; pct=100; adkim=r; aspf=r"
  • p=quarantine — e-mails que falham vão para spam (não são rejeitados)
  • p=none — modo monitor: não faz nada, só coleta relatórios
  • p=reject — rejeita e-mails que falham na autenticação
  • rua= — endereço para relatórios agregados (JSON/XML diários)
  • ruf= — endereço para relatórios forenses (detalhes por mensagem)
  • pct=100 — aplica a política em 100% dos e-mails
  • adkim=r e aspf=r — modo relaxed para alinhamento (mais flexível que s=strict)

Para aprofundar a lógica de políticas e alinhamento, o dmarc.org mantém documentação excelente com casos de uso reais.


Sequência de implementação em 4 semanas

A ordem importa. Ativar DMARC com p=reject antes de ter SPF e DKIM funcionando corretamente vai rejeitar seus próprios e-mails.

Semana 1 — Inventário e SPF

  • Liste todos os sistemas que enviam e-mail no seu domínio (ESP, CRM, sistema de NF, suporte, transacional)
  • Crie ou corrija o registro SPF com ~all
  • Valide em /verificar-email ou no mail-tester.com

Semana 2 — DKIM

  • Configure DKIM em cada ESP listado
  • Publique as chaves públicas no DNS
  • Aguarde propagação (24-48h) e verifique assinaturas

Semana 3 — DMARC em none

  • Publique _dmarc com p=none e os endereços rua/ruf
  • Analise os relatórios: você vai descobrir sistemas esquecidos que estão enviando no seu nome (muitas vezes, spammers usando seu domínio)
  • Corrija SPF/DKIM para os sistemas legítimos encontrados

Semana 4 — Escalonamento de política

  • Migre para p=quarantine; pct=25 (aplica em 25% dos e-mails primeiro)
  • Monitore bounce rate e entregas por mais 7-10 dias
  • Suba para pct=100 e depois p=reject quando os relatórios mostrarem zero falsos positivos de sistemas legítimos

Esse processo está detalhado no nosso guia completo de deliverabilidade (seção 4), com checklists por tipo de stack.


Como monitorar depois que estiver no ar

Relatórios DMARC agregados (rua): chegam diariamente por e-mail em formato XML. São ilegíveis puro, mas ferramentas como Postmark DMARC, DMARC Digests e Google Postmaster Tools transformam em dashboards legíveis. O que você quer ver: taxa de alinhamento SPF e DKIM acima de 95%.

mail-tester.com: ferramenta gratuita — você envia um e-mail para um endereço gerado pela ferramenta e recebe uma pontuação de 0 a 10 com diagnóstico por item. Útil para validação pontual antes de um grande envio.

Google Postmaster Tools: conecta seu domínio e mostra reputação de domínio e IP, taxa de spam report e tendências de entrega específicas para Gmail — onde provavelmente está a maior parte da sua lista.


FAQ rápido

Preciso de DMARC se ja tenho SPF e DKIM? Sim. Sem DMARC, qualquer um pode usar seu domínio no campo "From" mesmo que SPF e DKIM falhem — e o receptor não tem instrução de o que fazer. DMARC fecha esse buraco.

Meu domínio de marketing é diferente do domínio principal — preciso configurar nos dois? Sim. Cada domínio (e subdomínio usado como From) precisa de registros próprios. Um domínio sem autenticação é um vetor de phishing gratuito apontado para a sua marca.

p=reject pode quebrar encaminhamentos de e-mail? Pode. Quando alguém encaminha um e-mail usando um cliente ou servidor que altera o cabeçalho, a assinatura DKIM pode quebrar. É um problema real mas de nicho — monitore os relatórios DMARC para identificar se está acontecendo na sua base antes de preocupar o time de TI com isso.

Com que frequência revisar a configuração? A cada nova ferramenta de envio adicionada ao stack e pelo menos uma vez por trimestre. Rodar /verificar-email no seu domínio principal leva dois minutos e mostra imediatamente se algo regrediu.


Autenticação de e-mail não é projeto de segurança — é pré-requisito de marketing. Sem ela, você está pagando por uma lista, um ESP e uma estratégia de conteúdo que pode não chegar nem à caixa de entrada. Com ela, você tem base para exigir métricas reais do time de TI e do seu ESP, porque sabe que o canal está funcionando corretamente.

Comece agora

Pronto pra parar de mandar email pra endereço morto?

Comece grátis com 500 créditos. Sem cartão, sem compromisso.